Midia

, ASUG News #46

 

Na velocidade dos negócios por Sidney Davanso

A posição que ocupei durante os quase 12 anos em que dirigi a área de Suporte a clientes da SAP, no Brasil e América Latina, me permitiu uma visão bastante abrangente e privilegiava da forma como as companhias administram a operação das soluções SAP. Os meus comentários e observações têm o intuito de fomentar a reflexão e discussão a respeito da importância de uma administração técnica mais responsável, baseada em conhecimento, metodologia, ferramentas e processos.

Quando se fala em empresas usuárias das soluções SAP, podemos dividi-las em dois grandes grupos: as grandes empresas, via de regra multinacionais, muitas com origem no Brasil, que fazem uso intensivo das diversas soluções SAP e possuem um grande número de usuários destes sistemas, e as médias empresas, que normalmente são empresas nacionais, ou “pequenas” subsidiárias de multinacionais instaladas no país, que apesar de possuírem um número menor de usuários também dependem das mesmas soluções para apoiarem a continuidade de seus negócios.

Notem que, após um pequeno período de tempo após a entrada em produção destes sistemas, em ambas os casos as soluções tornam-se críticas para o desenvolvimento dos seus negócios e a própria viabilidade das empresas. A minha experiência me mostrou que a grande maioria das empresas não toma medidas para mitigar riscos técnicos e simplesmente reagem a eventos negativos relacionados à indisponibilidade total ou parcial (desempenho) de seus sistemas SAP.

Apesar de ser senso comum de que medidas preventivas são mais eficazes e de menor custo, estranhamente não há por parte da maioria das empresas uma abordagem preventiva e pró-ativa no tratamento do assunto disponibilidade dos processos críticos para o negócio, independentemente do porte e da área de atuação destas empresas. E o pior, muitas vezes a solução adotada é simplesmente incrementar os recursos de hardware, tais como processadores, memórias e discos, sem uma análise mais profunda das causas do problema.

Outra constatação interessante é que durante a implementação das soluções, não existe preocupação, no que tange a desempenho, com a qualidade dos programas desenvolvidos durante o projeto (customizações) – infelizmente são realmente poucos os projetos onde se realiza de forma rigorosa testes específicos para se verificar a influência de tais programas no andamento dos negócios após a entrada em operação dos sistemas.

Normalmente a preocupação é quanto ao resultado funcional do programa, não importando se o seu tempo de execução pode afetar de alguma forma o andamento das atividades que dependam dele.

O mesmo acontece com a programação da execução de programas em modo batch ou geração de relatórios através de queries – usualmente não há um estudo detalhado para se aperfeiçoar estes pontos e freqüentemente há concorrência de processamento de processos prejudicando o bom andamento das atividades das áreas de negócio desnecessariamente.

Outro ponto de atenção está relacionado ao tamanho e a alta taxa de crescimento do banco de dados de muitas empresas. Muitas informações são geradas e mantidas desnecessariamente devido a falhas na parametrização funcional dos sistemas na fase de projeto, por simples desconhecimento dos consultores, e falta de procedimentos de limpeza de tabelas temporárias na fase de operação dos sistemas.

Conclusão, as empresas arquivam dados inúteis, o que implica em maiores gastos com equipamentos de armazenagem de dados, além de tempos maiores de realização de backup e conseqüentemente maiores tempos em situações de emergência onde se necessite realizar um restore . Análises específicas e medidas corretivas simples podem evitar estes problemas.

Falando em backup, não é demais lembrar que diversas vezes enfrentei situações onde vários dos arquivos de backup de clientes SAP estavam corrompidos, ocasionando a trabalhosa necessidade de se recompor milhares de movimentos de um longo período de tempo. Isso simplesmente porque as mensagens de erro foram ignoradas quando da realização do backup e/ou não se tinha uma rotina de procedimentos de validação de backup.

Não poderia deixar de comentar uma falha muito grave que acontece, com não tão pouca freqüência como seria de se esperar, que é o transporte de objetos de ambientes de desenvolvimento, ou qualidade, para os de produção sem os devidos testes ou mesmo indevidamente, por falhas em processos de autorização, ocasionando indisponibilidade dos sistemas ou mesmo gerando dados corrompidos que depois de um longo período podem ocasionar sérios problemas sistêmicos ou mesmo legais ou fiscais para as empresas.

É importante também mencionar que já há diversos anos a SAP disponibilizou transações e ferramentas, como o SAP Solution Manager, que permitem a automação de atividades de monitoramento e controle dos sistemas e de processos de negócio, aumentando assim o nível de governança corporativa em relação a administração dos sistemas. Porém, com base nos casos acima, pode se observar que a utilização infelizmente ainda é pífia.

Não foram poucas vezes onde, durante o reporte de um problema muito grave por parte de um cliente, eu fui informado que o SAP Solution Manager havia sido desinstalado, com a justificativa de que a empresa havia necessitado de um servidor para a realização de algum outro trabalho, demonstrando assim a pouca importância dada ao assunto. Da mesma forma, enfrentei muitas vezes situações onde o risco do problema era apontado em sucessivos relatórios do SAP Early Watch ou SAP EarlyWatch Alert e este descansava tranquilamente no fundo de uma gaveta esperando ser analisado e que medidas fossem tomadas para se evitar exatamente a situação que atormentava a empresa naquele momento.

Finalmente, gostaria de chamar a atenção para um estudo do Gartner, publicado no final de 2001, que aponta que 80% das causas de paradas não planejadas de sistemas estão relacionadas a falhas na operação e no software, ou seja, em pessoas e processos, e somente 20% em falhas de infra-estrutura, área em que a totalidade das empresas parece estar coberta.

SIDNEY DAVANSO
Sócio-diretor da Avelor

 
  
 

 

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